terça-feira, 25 de novembro de 2008

A TRILHA DE SENTIDOS COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO PEDAGÓGICO

RESUMO: Os projetos que tratam da execução de trilhas interpretativas ou ainda trilhas de sentidos envolvem sensibilização, interpretação e educação ambiental. Estas trilhas são utilizadas com freqüência como meios de interpretação da natureza, visando não somente à transmissão de conhecimentos, mas também propiciando atividades que analisam os significados dos eventos observados no ambiente bem como as características do mesmo. As trilhas de sentidos se dá no âmbito dos sentidos, fazendo com que o individuo trabalhe todos sentidos que possui, não se prendendo somente à visão, o que tem ocorrido muito principalmente no ensino de geografia. Portanto as trilhas surgem como instrumento didático pedagógico que visa, além de tirar o aluno de uma rotina cansativa do método “bancário” de estudos como diz Paulo Freire, ainda leva o aluno a desenvolver todos os sentidos que possui.

PALAVRAS-CHAVES: Trilha de Sentidos; Trilhas Interpretativas; Educação e Geografia.

Primeiras Considerações

Este trabalho surge a partir da atividade de elaboração de um recurso didático pedagógico, no ensino de geografia do curso regular, proposto pela disciplina de Estágio de Observação e Vivência Docente do curso de Geografia ministrado pela profª drª Rosely Archela.Partindo da reflexão dos textos de MOREIRA (2007) e LIMA (2002) desenvolvemos a atividade Trilhas dos Sentidos. Segundo MOREIRA (2007) os educadores tem que fazer da sala de aula um espaço de construção e de troca, onde se ensina e se aprende, onde o professor deixa de ser o “dono do conhecimento” e passa a ser parceiro no processo de aprendizagem. Partindo deste pressuposto e o de que, segundo LIMA (2002), nosso corpo é nosso primeiro meio é ele quem media todas as relações, através dos sentidos, entre a matéria e nossas emoções, a trilha dos sentidos contempla a ação de integrar professor-aluno e aluno-aluno, sustentado pelos alicerces da percepção.

Sabemos que a percepção do mundo é em grande parte visual. Percebemos e construímos o nosso meio ambiente com base principalmente, na percepção visual, o sentido mais desenvolvido em nossa cultura ocidental, embora as outras percepções (olfativa, auditiva e tátil-cinestésica) sejam igualmente importantes na nossa experiência ambiental. O nosso mundo não é apenas composto de cores, formas e sensações. Enquanto psicologicamente a visão é considerada uma sensação, a percepção é definida como o significado que atribuímos às nossas sensações. A sensação necessita de órgãos sensoriais para receber os estímulos provenientes do exterior, órgãos estes que possuem estruturas e funções apropriadas para captar os sinais específicos.

Neste processo foi elaborado a atividade de “Trilha dos Sentidos”. Os projetos que tratam da execução de trilhas, envolvem sensibilização, interpretação e educação ambiental. As trilhas são utilizadas com freqüência como meios de interpretação da natureza, visando não somente à transmissão de conhecimentos, mas também propiciando atividades que analisam os significados dos eventos observados no ambiente bem como as características do mesmo.

A atividade têm seus objetivos traçados dentro das dimensões educativa, institucional, política, filosófica e ética, sendo eles:

- Levar à comunidade escolar os princípios, os valores e as atitudes que estão na base da educação ambiental;

- Buscar a constituição de uma base sólida relacionando, pesquisa, extensão e ensino para o eficiente desenvolvimento da dimensão educativa;

- Articular a experiência adquirida em pesquisas e estudos com um planejamento sócio-político que seja verdadeiramente condizente com as necessidades locais, possibilitando a interação e a integração das pessoas com o meio ambiente circundante, ajudando-as no processo de conservação do espaço sócio-ambiental;

- Articular as relações entre homem e natureza ou natureza e cultura contribuindo para a mudança da mentalidade e do comportamento concreto das pessoas nos diferentes espaços sócio-ambientais- Proporcionar momentos para vivenciar uma diversidade de estímulos no meio ambiente de forma a permitir uma contribuição do desenvolvimento físico, cognitivo, intelectual e, sobretudo, emocional da criança e do adolescente

A atividade de “Trilhas de Sentidos” busca atender a demanda da comunidade por leitura e interpretação da paisagem natural ou construída, de maneira diferenciada, com desenvolvimento de órgãos pouco requisitados no desenvolvimento das atividades de ensino. A técnica articulam o ensino, a pesquisa e a extensão. As atividades podem ser realizadas no período de janeiro a dezembro atendendo de forma personalizada cada escola.

O público alvo do projeto está constituído pelas escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio.Levando em consideração que a atividade de “Trilha dos Sentidos” tem sua gênese a partir das trilhas interpretativas julgamos extremamente necessário para melhor compreensão da proposta, discorrermos sobre trilhas interpretativas.

O Sentido das trilhas

As trilhas interpretativas são recomendadas em educação ambiental por oferecerem oportunidades de um contato direto com o ambiente natural, direcionado ao aprendizado e à sensibilização (ROBIM; TABANEZ ,1993).

Em áreas naturais as trilhas desempenham importantes funções sendo também consideradas instrumentos de manejo.Os impactos negativos causados pela sociedade humana ocasionam um desarranjo dos processos naturais e esta desorganização ambiental acaba sendo herdada pelas gerações futuras. Cada cidadão faz parte do meio ambiente, interferindo diretamente nos processos biológicos dos ecossistemas.

Para que essa interação entre homem e natureza seja positiva, um planejamento adequado de Programas de Interpretação Ambiental para áreas naturais são de suma importância, pois aspectos como conservação da biodiversidade, degradação do meio ambiente e atividade-risco-impacto poderão ser analisados, levando cada participante a analisar sua postura frente o ambiente natural. (VASCONCELOS, 2005, p.44)

Entre as funções destaca-se a de conectar os visitantes com o lugar, criando maior compreensão e apreciação dos recursos naturais e culturais; provocar mudanças de comportamento, atraindo e envolvendo as pessoas nas tarefas de conservação; aumentar a satisfação dos usuários, criando uma impressão positiva sobre a área; influenciar a distribuição dos visitantes, tornando-a planejada e menos impactante (VASCONCELOS, 2005).

Se analisarmos, é fácil notar a integração em ambas as Trilhas, principalmente referente à metodologia. Posteriormente descreverei passo a passo como pode ser feita a “Trilha de Sentidos”, que é desenvolvida atrvé de dinâmicas.

1º Passo:

Dinâmica de Integração e descontração com utilização dos sentidos

Desenvolvimento:

Convidar os participantes a formarem duplas, colocando- se um defronte um para o outro. Tirar par ou ímpar.Cada dupla combina entre si um som qualquer que será emitido por aquele que ganhar no par ou impar, enquanto o outro deverá ter os olhos vendados

Quem ganhar emite sempre o mesmo som para guiar o companheiro cego, mergulhando no meio de todos os outros.

Após três ou quatro minutos, inverter os papéis.

Finalizar o exercício, recolhendo as reações dos participantes, através de verbalização.

Objetivos:

- aprender a ouvir;

- respeitar o corpo do outro;

- desinibir;

- aquecer;

- confiar no outro;

- trabalhar temas específicos identificar o outro, confiança, comunhão, sentidos, nova linguagem etc

2º Passo:

Preparação da dinâmica e saída para trilha

Dinâmica do cego e do mudo

Objetivos:

- Desenvolver o sentido da audição e do tato para a percepção do espaço geográfico;

- Fortalecer a confiança aluno- aluno;

-Aprimorar e desenvolver a criatividade;

-Aproximação do aluno com o meio ambiente

Material:

-vendas para os olhos

Desenvolvimento:

A sala deve ser separada em duplas, entre as duplas deve se escolher um indivíduo que irá vendar os olhos (cego) e o outro que não poderá se comunicar através da fala(mudo). A dupla deverá caminhar por um percurso conduzido por um guia (Coordenador). O cego será guiado pelo mudo durante todo percurso.

3º Passo:

No percurso da trilha em um lugar previamente preparado realiza-se a dinâmica do tato.

Dinâmica do sentido do tato

Objetivos:

-Desenvolver o sentido do tato

-Despertar a percepção ambiental

- Aprimorar e desenvolver a criatividade

Material:

-Dez caixas

-10 tipos de objetos diferentes

-Papel e caneta

-Cronômetro

Preparação:

As caixas deverão estar uma ao lado da outra numa distância de 1 metro uma da outra dentro de cada caixa deverá conter um objeto ,as caixas deverão estar numeradas de 1 a 10, deve-se distribuir um papel numerado de 1 a 10 e uma caneta para cada dupla.

Desenvolvimento:

A pessoa que não podia falar na dinâmica anterior deve ser conduzida até uma das caixas, de olhos fechados usando somente o tato deve tentar descobrir o que tem dentro da caixa no tempo máximo de 15 segundos. Após o tempo, deve anotar no papel na frente ao numero correspondente ao numero da caixa em que está, o que acha que tem dentro daquela caixa, após anotar passar para a próxima.

4º Passo

Confecção de croqui

Objetivos:

- Desenvolver a imagem, imaginação e criatividade do aluno.

- Despertar o aluno para um senso de espacialização cartográfica

Material:

- Papel Clafit;

- Giz de cera;

- Caneta hidrocolor;

- lápis de cor

5Passo:

Discussão sobre a trilha Fazer uma breve discussão sobre a trilha, refletindo sobre as dinâmicas e o croqui.

Refletir a história “O que você está ouvindo?” que está anexa a este trabalho.

6º Passo:

Conclusão

Concluir a oficina deixando a seguinte mensagem:

"Os profetas não são homens ou mulheres desarrumados, desengonçados, barbudos, cabeludos, sujos, metidos em roupas andrajosas e pegando cajados. Os profetas são aqueles ou aquelas que se molham de tal forma nas águas da sua cultura e da sua história, da cultura e da história de seu povo, dos dominados do seu povo, que conhecem o seu aqui e o seu agora e, por isso, podem prever o amanhã que eles mais do que adivinham, realizam. Eu diria aos educadores e educadoras, ai daqueles e daquelas que pararem com sua capacidade de sonhar, de inventar a sua coragem de denunciar e de anunciar.” (Paulo Freire)

BIBLIOGRAFIA
LIMA, Luciano Castro, O SENTIDO É O MEIO – SER OU NÃO SER, In: PONTUSCHKA, Nídia Nacib; OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino (orgs), GEOGRAFIA EM PERSPECTIVA, São Paulo: Contexto, 2002, p. 161-171.


MORALES, A. G. A arte do afeto na educação ambiental. In: CONVENÇÃO BRASIL LATINO AMÉRICA, CONGRESSO BRASILEIRO E ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. 1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais... Centro Reichiano, 2004. CD-ROM. [ISBN - 85-87691-12-0]


MOREIRA, Dimitri Salum; SILVA, Marcelo José da; FERREIRA, Renato, A Didática da Afetividade, In: PASSINI, Elza Yasuko, Práticas de Ensino de Geografia e Estágio Supervisionado, São Paulo: Contexto, 2007, p. 73-77.


ROBIM, M.J.;TABANEZ, M.F. Subsídios para a implantção da Trilha Interpretativa da Cachoeira-Parque Estadual de Campos do Jordão. Boletim Técnico 5(1):65-89,1993.
VASCONCELLOS, J. M Avaliação da eficiência de diferentes tipos de trilhas interpretativas no Parque Estadual Pico do Marumbi e Reserva Natural Salto Morato-PR. Natureza & Conservação. Curitiba, vol. 2.n.2, 2004.


VELTHUIS, Cleidi Lange; FERREIRA, Cristina, A Valorização da Afetividade no Processo de Ensino-Aprendizagem, In: Revista de divulgação técnico- cientifica do IPC, v. 2, n. 7, 2004, p. 139-142.

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